28 de mai de 2013

Música Rural Brasileira

As origens mais profundas da chamada Música Rural Brasileira ainda guardam uma boa dose de mistério e controvérsia. Entretanto, de acordo com a maioria dos pesquisadores, ela teve sua origem em meados do Século 16, de uma mistura de elementos musicais portugueses e indígenas, numa vasta área que compreende hoje as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Já no século passado, muitos autores relataram a riqueza das formas musicais oriundas do campo. Eles comentavam sobre as festas típicas do interior, bem como sobre as manifestações musicais associadas aos tropeiros – um tipo de música apresentada como desafios, que acabou caindo no agrado popular e espalhando-se rapidamente por todo o território nacional.


No início do século 20, devido a migração de trabalhadores para as zonas industrializadas, o interesse pela música rural aumentou significativamente. E foi o pesquisador paulista Cornélio Pires o primeiro a divulgá-la ao mundo urbano brasileiro, por meio de diversas palestras e demonstrações realizadas em São Paulo e, posteriormente, no Rio de Janeiro.

Dessa forma, a partir de 1924, com o aparecimento das rádios, surgiram os primeiros intérpretes incumbidos de consagrar a música rural do Brasil.


Através de Cornélio Pires, portanto, inúmeras duplas pioneiras foram apresentadas ao público, entre elas Olegário e Lourenço, Zico Dias e Ferrinho, Mariano e Caçula, Alvarenga e Ranchinho, Tonico e Tinoco e o histórico grupo Turma Caipira Victor.



Entretanto, até 1928, a música rural ainda não estava presente nos catálogos das gravadoras. Mas graças ao trabalho árduo e incansável de Cornélio Pires, logo seriam produzidos inúmeros discos protagonizados por artistas amadores e profissionais do interior paulista, consolidando, assim, a chamada moda de viola como a sua principal manifestação.

Dessa forma, com a ascensão do disco e do rádio, a música rural ganhou uma enorme visibilidade durante as décadas seguintes. Entretanto, por volta dos anos 50, ela começa a entrar em um gradativo processo de reformulação geral. (E é aqui que se localiza a grande polêmica entre os defensores da modernização e os críticos à descaracterização do gênero.)


O fato é que, a partir do final dos anos 80, a dupla Chitãozinho & Xororó passaria a encabeçar a inevitável transformação comercial da música rural para a chamada "música sertaneja".

E com eles, portanto, é criado um novo estereótipo do "caipira", influenciado fortemente pela figura do vaqueiro norte-americano – o caubói.


Na esteira desse fenômeno, acontece o chamado boom sertanejo no País, com a chegada de uma infinidade de duplas, como Leandro & Leonardo, João Paulo & Daniel e Zezé Di Camargo & Luciano. Em relação a estes últimos, é importante citar o filme Os Dois Filhos de Francisco, uma ficção baseada na vida da dupla, que tornou-se um sucesso estrondoso, aparentemente representando a ótima fase desta "nova música rural brasileira".



À parte todos os debates acerca da autenticidade dos rumos tomados pela música rural no País (e incluímos aqui, de passagem, o recente fenômeno do Sertanejo Universitário), sabemos que esse processo de "urbanização" era algo inevitável. Durante as últimas décadas do Século 20, o comercialismo se impôs a todos os produtos culturais, de modo que não sobrou outra possibilidade de sobrevivência à música rural a não ser adaptar-se aos novos tempos.


Para saber mais sobre o tema:

emportuguesuab.blogspot.com.br
efrankinstrumental.wordpress.com
netostefani.com.br
miniweb.com.br

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